Você pode passar anos tratando gordura no fígado, aumento da cintura, triglicerídeos elevados, pressão alta e alterações hormonais como se fossem problemas separados. Enquanto isso, a resistência à insulina — que pode ser a cola entre vários deles — continua ignorada.
Muitas vezes, ela só entra na conversa quando a glicose sobe ou aparece o diabetes. Mas o corpo já vinha dando sinais havia muito tempo.
A insulina ajuda o organismo a utilizar a energia que vem dos alimentos. Quando as células passam a responder pior à sua ação, o corpo tenta compensar produzindo mais insulina. Essa compensação pode manter a glicose normal por um período, enquanto outras alterações começam a aparecer. É por isso que olhar apenas para o açúcar no sangue pode deixar uma parte importante da história de fora.
A resistência à insulina não afeta somente a glicose. Ela pode participar do acúmulo de gordura no fígado e na região abdominal, das alterações de triglicerídeos, da pressão alta e de desequilíbrios hormonais, como os que acompanham a síndrome dos ovários policísticos. Também está relacionada ao desenvolvimento do pré-diabetes e do diabetes tipo 2. Não significa que seja a causa única de cada problema, mas, quando vários aparecem juntos, faz sentido perguntar o que os está conectando.
Essa pergunta também precisa chegar à produção de energia. As mitocôndrias participam da transformação dos nutrientes em energia para o corpo funcionar, se movimentar e se recuperar. Por isso, quando observo um desequilíbrio metabólico, não penso apenas no que a pessoa come ou no resultado de um exame. Quero entender como ela está utilizando aquilo que recebe e em que condições seu organismo precisa trabalhar todos os dias.
O corpo está sempre buscando se autorregular. Produzir mais insulina para manter a glicose estável é uma tentativa de adaptação. O problema é exigir que ele faça esse esforço continuamente enquanto os hábitos que contribuíram para o desequilíbrio permanecem os mesmos. Podemos passar anos cuidando das consequências sem observar o que, na rotina, continua alimentando a situação.
É nessa parte que entra meu trabalho como naturopata. O médico é responsável pelo diagnóstico e pelo tratamento das doenças. Na consulta de naturopatia, eu investigo as condições de vida que podem ter favorecido o desequilíbrio e ajudo a pessoa a modificá-las. Observo como ela realmente se alimenta, se suas refeições a nutrem, como digere, como funciona seu intestino, como dorme, quanto se movimenta, se está preservando sua massa muscular e se encontra tempo para descansar e se recuperar.
Também procuro entender por que certos hábitos continuam se repetindo. Há pessoas que passam o dia sem fazer uma refeição adequada e chegam à noite exaustas. Outras vivem alternando restrição e excesso, ou sabem o que gostariam de mudar, mas não conseguem sustentar a mudança dentro da vida que levam. Por isso, reeducação alimentar não é apenas trocar alimentos. É reorganizar uma rotina e compreender a relação emocional que a pessoa construiu com a comida e com o próprio cuidado.
Não entrego a mesma lista de regras a todos. O que precisa mudar depende da história, dos sinais e das dificuldades reais de cada pessoa. O objetivo é identificar onde ela está atrapalhando, sem perceber, um corpo que continua tentando encontrar equilíbrio — e ajudá-la a criar condições melhores para que ele funcione.
No DDD70, esse trabalho ganha uma estrutura de 70 dias. O programa reúne reorganização alimentar, trabalho sobre o terreno inflamatório, cuidado com o intestino e o fígado, desintoxicação e apoio aos processos de eliminação. A reeducação alimentar e emocional acompanha as etapas para que a pessoa não apenas siga um protocolo por algumas semanas, mas aprenda a reconhecer os hábitos que a levam repetidamente ao mesmo lugar.
A resistência à insulina pode estar presente enquanto suas consequências recebem vários nomes diferentes. Olhar para essa ligação é importante. Mas, para mim, a pergunta seguinte é ainda mais útil: o que está acontecendo todos os dias para manter esse corpo em dificuldade, e o que podemos mudar para deixar de atrapalhar sua capacidade de se autorregular?
Se você quer compreender seu caso e trabalhar seus hábitos de forma individual, conheça minha consulta de naturopatia.
Se prefere começar por um programa de reorganização do terreno, com etapas e acompanhamento, conheça o DDD70.